sexta-feira, 24 de abril de 2009

Houve um dia!


Houve um dia em que me deram tintas para pintar a vida,

Mas eu não entendi e elas acabaram por secar,

Hoje preciso delas e já nem sei o que são cores.

Deixei-me levar pelo sonho

E agora que não sou nada aparte dele,

Visto-me de negro e pinto letras sem sentido que se lhes aponte.

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Já não tenho bem noção das marcas que deixei,

Das cores com que te pintei sem saber que as tinhas.

Estou hoje preso no que te dei,

No que não há de voltar a mim,

Na imagem com que te sonhei,

Na vida onde que te imaginei.
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Agora, de negro gasto pelo tempo,

Relato o caminho para saber que já andei.

Olho a volta sem saber o que de mim sobrou,

Serve-me de alento ao corpo frio

O manto de cores que deixas-te para trás.
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Houve um dia em que voltas-te disposto a ser pintado

Mas fechei-te a porta, por engano.

Mal de mim, prendi-me cá fora,

Tranquei-me em mim sem hipótese de voltar.

Agora olho a preto e branco as cores da tua vida,

Já não lhes pertenço…

Cores ligam com cores e as minhas eu deixei-as secar.

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